agosto 23, 2016

Comer e Correr (Hábitos 4 e 5)

agosto 23, 2016
Ok! Eu sei, eu sei. Quem sou eu para falar de hábitos? Eu que estive 2 meses sem publicar nada n'O Macaco de Imitação, a não ser aquele post sobre a minha primeira aplicação (Kobo Notes). O que é feito da série dos 6 meses e 6 hábitos? Foi toda por água a baixo? Hum...mais ou menos.

Comecei este projeto e ainda trabalhei bem nos primeiros 3 hábitos. Comecei a concentrar-me melhor no trabalho e a organizar-me como gente grande. Experimentei, e consegui manter, provisoriamente, um pequeno hábito de meditação. Gostaria de escrever que ainda pratico estes hábitos. Mas não o posso fazer.

O que aconteceu? Foi o verão, foi a praia, foram as férias. Foi a preguiça, a falta de atenção ou a atenção que divergiu para outras coisas. Para outros hábitos? Sim. O 4º e 5º hábito desta série (se ainda assim a posso chamar) tocaram-me particularmente forte. São eles "fazer exercício regularmente" e "comer melhor", respectivamente.

Membros da tribo Tarahumara, que adoram correr e que por vezes correm 200km só na "brincadeira". Ouvi falar desta tribo, pela primeira vez, no livro Born to Run. Fotografia de coppercanyonexplorer.com
O primeiro destes hábitos, "fazer exercício regularmente" correu como esperado. Durante esse mês surfei, andei de skate, joguei ténis e corri. Nada de especial, nada de treinos intensivos, nada de que fugisse às expectativas. Comecei a fazer exercício físico, e valeu por isso mesmo. Mas o melhor viria de seguida.

Comecei o hábito 5 para aprender a "comer melhor". Não sabia, na altura, o que isso significava. Comer mais sopa? Mais fruta? Menos pão? Começar uma série de pequenos hábitos saudáveis de uma vez? De todos os hábitos até então, nenhum começaria por ser tão difícil, com tanto para aprender e aplicar. Os primeiros dias deste hábito seriam uma miséria, e já poucas esperanças tinha de começar a "comer melhor". Até que encontrei e comecei a ler uns livros...

Os próximos 4 livros podem muito bem ter mudado a minha vida radicalmente, mas só o tempo o dirá. Antes de mais, são eles:

Dois livros sobre alimentação (o que deve e não deve ser comido) e outros dois sobre corrida (em particular ultra-maratonas). Digamos que foram os quatro livros mais importantes e motivantes (particularmente o último destes) que li na minha vida.

Born To Run, de Christopher McDougall. Um dos meus livros favoritos de todos os tempos (sim, digo-o muitas vezes, mas a verdade é que os livros não me deixam de impressionar). Imagem de goodreads.com
E depois de ler estes livros os meus hábitos de corrida e alimentação alteraram-se radicalmente. Durante e depois de os ler, comecei a pensar em correr e comer bem durante grande parte do dia. E os meus amigos e família já não me podem ouvir falar destas coisas, particularmente da história dos "hidratos" (tópico que poderá ser explorando num próximo post).

O que aprendi ao ler estes livros? Não consigo explicar tanto, nem faria sentido fazê-lo, neste artigo. Aprendi coisas novas e outras que já sabia (mas que ainda não tinha aplicado ou ainda não tinha sido motivado a ir por esse caminho).

Aprendi a evitar comidas altamente processadas, refrigerantes, hidratos de carbono (os mais processados como a massa e arroz) e a comer verduras a toda a hora. Aprendi que os sapatos de corrida "tradicionais" (que foram inventados apenas na década de 70) causam lesões e que agora existem uns sapatos "minimalistas" que permitem, o mais possível, devolver o movimento natural ao pé. Aprendi que a maior parte dos corredores toca no solo com o calcanhar, e que isso não só está errado, mas é menos eficiente e causa lesões. Motivei-me com a história de pessoas que correm mais de 200km numa única corrida.

E agora o meu dia-a-dia tem sido muito diferente. Já não como, na maioria das vezes, o que costumava comer (e perdi 2/3 kg por causa disso mesmo). Tenho corrido bastante e tenho aumentado substancialmente os km e tempo por cada treino. Corri muitas vezes na praia, corri descalço na ciclovia por outras vezes (sim, descalço; o que parece faz bem) e estou mais motivado do que nunca para acabar a minha primeira meia-maratona em Outubro.

Os 3 primeiros hábitos dos 6 meses e 6 hábitos podem não ter corrido muito bem. Há que voltar a ganhá-los para conseguir trabalhar melhor. Mas estes dois últimos, que tão importantes são, foram "atacados" com uma força que não sabia ter. Gosto de pensar que compensei.

Mas muito ficou por falar sobre alimentação e corrida, que tanto espaço mental me ocupam por estes dias. Haverão mais posts sobre isso n'O Macaco. Só espero que não sejam apenas daqui a mais 2 meses.

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julho 28, 2016

KoboNotes.com, a minha primeira aplicação!

julho 28, 2016
Tenho andado desaparecido d'O Macaco de Imitação. Acontece que quando um desafio me bate forte, não consigo largá-lo nem por um momento. Além disso, estive de férias e, sinceramente, tive um bloqueio criativo que limitou (em 100%) a quantidade de posts escritos.

No último mês tenho andando a aprender a fazer websites usando várias linguagens de programação (HTML, JavaScript, CSS, PHP, MySQL...) e explorando ferramentas como Bootstrap e Wordpress. E enquanto fazia as aulas deste curso online fui apontando ideias de pequenas aplicações que pudesse fazer. Daí nasceu um pequeno projeto chamado KoboNotes.


Se és leitor d'O Macaco há uns tempos, ou mesmo sem o ser, é fácil de perceber que adoro ler. No ano passado li mais de 40 livros, quase todos utilizando o meu eReader Kobo Aura. É fácil de ler com o Kobo, porque posso transportar centenas de livros ao mesmo tempo, é leve e cabe-me no bolso. Com o Kobo é mais fácil ler muito, e aprender coisas novas (temas que irei explorar num próximo artigo).

Com o Kobo também posso sublinhar partes dos livros e mesmo tirar notas para ler mais tarde. Acontece que não existem (ou existiam!) boas soluções para retirar essas notas do Kobo, organizá-las, e lê-las no computador, no telemóvel, ou em qualquer lado. E isso chateava-me. Se queria ler todas as notas que tinha de um livro, e se queria guardá-las no PC, demorava quase uma hora a organizá-las. Decidi, por isso, com as minhas novas skills de programação web, desenvolver uma nova ferramenta para extrair e organizar essas notas tiradas do Kobo.

O KoboNotes já está online! Se tens um eReader Kobo, se conheces alguém que o tenha, ou se estás curioso quanto à aplicação, convido-te a visitar o website (nele apresento uma conta de teste para testares o KoboNotes à vontade).

Notas de um dos últimos livros que li, "Why We Get Fat". Esse será o tema de um próximo artigo.
Com o KoboNotes, precisas apenas de fazer upload de um ficheiro que está nas pastas do teu Kobo, e todas as tuas partes sublinhadas e notas nos livros que leste são transferidas para o site e organizadas. Podes depois ler essas notas quando quiseres (podes fazer uma conta e os teus dados são guardados) e até usando qualquer dispositivo.

O KoboNotes, apesar da sua pequena complexidade, não se fez sem os seus desafios. Não em termos de programação e estética do website, que apesar de ter dado algum trabalho, é algo que se vai fazendo. O verdadeiro desafio foi, e irá continuar a ser por algum tempo, convencer os utilizadores do Kobo a usar o KoboNotes. Logo que apresentei a aplicação em vários fóruns, comunidades e páginas relacionadas com eReaders, fui inundando de questões sobre a segurança do site. Garanti que não guardava nenhuns dados sensíveis sobre o dispositivo Kobo das pessoas, mas mesmo assim, acredito haver muitos leitores desconfiados.

Parte do Q&A do KoboNotes. Aqui respondo a várias dúvidas sobre a utilização da aplicação.
Descobri que até uma pequeníssima aplicação pode ter grandes desafios. Não faltaram pequenos artigos doutros blogs sobre o KoboNotes, mas todos eles colocavam algumas reservas quanto à aplicação. Logo lhes expliquei e clarifiquei alguns pontos e até acrescentei uma secção de perguntas e respostas no site, para tirar todas as dúvidas que pudessem surgir. 

Agora só o tempo dirá se o KoboNotes será uma aplicação de valor para todos os que gostam de ler. Neste momento sei que tenho alguns utilizadores, e isso já me deixa feliz.

E foi nisto que "gastei" parte do meu tempo no último mês. Fiz outras coisas, tal como começar o 5º hábito da série "6 meses e 6 hábitos" e ler muitas coisas sobre corrida e alimentação. Mas isso é conversa para um próximo post. 


Este artigo foi diferente do habitual. Em parte uma desculpa de porque não publiquei nada no último mês, mas também uma apresentação da minha primeira (e pequeníssima) aplicação. Espero que tenham gostado do KoboNotes!


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junho 13, 2016

Mini-desafio - 7 dias e 7 TED Talks

junho 13, 2016
Desde fevereiro que ando a tentar ganhar 6 novos hábitos em 6 meses. Tem sido um desafio interessante e as minhas novas skills têm-me ajudado a estar concentrado nas coisas importantes. Mas também tem sido um processo demorado (e assim é de propósito) e por isso senti que precisava de um novo desafio, mesmo que pequeno, para aprender qualquer coisa nova.

Foi por isso que na semana passada pedi ajuda aos leitores d'O Macaco de Imitação para escolher um mini-desafio - algo que pudesse fazer em poucas horas durante uma semana. No final escolhi ver uma TED Talk por dia durante 7 dias.
Logo do TED talks. Imagem retirada de ted.com
Estas foram as 7 TED talks que vi esta semana. Organizei os títulos pelos temas dos vídeos e sempre que possível acrescentei legendas em português. Todas as talks, à excepção da número 5, foram sugestões vossas. Obrigado!

1. Produzir comida no futuro

Aqui é apresentada uma solução para crescer comida de forma saudável e sustentável. Podemos vir a ter computadores que produzem comida, e podemos vir a partilhar receitas entre computadores em vez de enviarmos comida de um lado para o outro do mundo. Esta TED talk indica que podemos todos crescer a nossa comida e ter alimentos mais saudáveis. É certamente uma ideia com futuro.

2. Surf

Nesta Ted talk, Easkey Britton fala sobre umas das minhas grandes paixões, o Surf. Esse desporto que nos faz esquecer tudo o que está à nossa volta e que nos liberta de distrações. Ficamos em perfeito contacto com a natureza e durante aquele momento somos só nós e as ondas, em perfeita sintonia. 

Esta talk faz-nos pensar naquilo que gostamos de fazer e como podemos melhorar o mundo ao fazê-lo.

3. Aquecimento global e o país negativo em carbono - Butão

Na sua constituição, o Butão indica que 60% da terra, no mínimo, deve permanecer floresta para todo o sempre. As florestas do país estão também todas conectadas e é possível, aos animais, andarem livremente por todo o Butão, protegidos por reservas e parques naturais.

Esta talk comoveu-me e deu-me vontade de visitar o Butão. É impressionante o esforço que um país tão pequeno tem feito para salvar o ambiente e para melhorar a qualidade de vida e felicidade da sua população. Os maiores países, com mais recursos, têm muito a aprender com este pequeno grande exemplo. Foi a minha TED preferida da semana.

4. Máquinas voadoras

Estas pequenas máquinas voadoras podem ter um impacto gigante no futuro. Apesar de não ter sido uma grande TED talk, aconselho a sua visualização para que entendas a potencialidade destes pequenos robôs.

5. Dinossauros e procura de fósseis

Nesta talk aprendi que regras devem ser seguidas para encontrar fósseis. Não tinha noção de que seguindo estas "simples" indicações, é quase garantido encontrar qualquer coisa que tenha vivido há vários milhões de anos no nosso planeta.

Esta talk pertence a uma lista das melhores talks de 2016.


6. Detecção de som através de vídeo

O trabalho de Michael Rubinstein parece saído de um filme de espiões. Então não é que ele consegue detetar sons ou, melhor ainda, perceber o que está a ser dito numa discussão, apenas através de um vídeo da conversa? É possível detetar as mais pequenas oscilações nos objetos do dia-a-dia e daí reconstruir os sons do ambiente. Incrível!


7. Ser português

Finalizei este mini-desafio à tuga, vendo também a talk mais divertida da semana. Zé Pedro Cobra fala-nos nos hábitos portugueses e nas atitudes menos boas que nos caracterizam. O "vai-se andando", o culpar o outro, o "queixume" e tantos outros maneirismos.

Mas esta também é uma talk de esperança e sobre o que podemos fazer para melhorar. É sobre parar para pensar naquilo que queremos da vida. Porque "cada um faz o que quer, o problema é que nós não sabemos o que queremos e andamos atrás das coisas erradas".

"Não reclamem nada do mundo, ele não vos deve nada - chegou cá primeiro", Mark Twain

Bónus 1. Procrastinação

É difícil ver 7 TED talks sem procrastinar, vendo umas talks extra e voltando a ver as favoritas

Esta TED foi apresentada este ano pelo meu blogger favorito, Tim Urban, que escreve o blog WaitButWhy. Nesta ele apresenta o tema da procrastinação do mesmo jeito que escreve - com desenhos, com piadas, e com as melhores metáforas para que todos percebam a mensagem que ele quer transmitir. Esta é a minha TED favorita de sempre. 

Bónus 2. Desafios de 30 dias

Matt Cutts aprensenta uma das talks mais motivadoras de sempre em apenas 3 minutos. Esta, e outras coisas do género, motivaram-me para fazer os meus desafios de 1 mês, ou 21 dias ou 20 horas ou 1 semana

Tal como Matt diz, "Os próximos 30 dias vão passar quer queiram quer não, por isso, porque não experimentar qualquer coisa que sempre quiseram fazer?".


Nota final

Tenho amigos que me perguntam, "mas porque estás a fazer esse desafio"? A resposta é semelhante a outras perguntas sobre outros desafios - faço-o porque é divertido e porque sei que vou aprender coisas novas.

Este desafio ensinou-me que é possível aprender algo novo, informação essa que pode ser útil no futuro, em apenas 15 minutos por dia. Se assim é, porque não fazer mais coisas destas?

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junho 05, 2016

Sou boa pessoa, mas às vezes piso as dunas

junho 05, 2016
Devíamos todos reciclar. Devíamos todos ter um carro elétrico ou, melhor ainda, andar de bicicleta. Devíamos todos dar sangue e ser dadores de medula. Devíamos todos votar. Não devíamos pisar as dunas. E não devíamos comer carne; ainda me lembro daquilo que vi no Cowspiracy.

Devíamos também fazer exercício físico, todos os dias, e comer bem. Devíamos meditar, acordar cedo e não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje. Devíamos ser mais organizados e ajudar as pessoas sempre que possível. Devíamos escrever uma lista de 100 coisas que devíamos fazer e devíamos fazê-las a todas. Ou não?

Claro que sim. Devíamos fazer isso tudo. Devíamos proteger o ambiente, os animais e ajudar os outros. Devíamos fazer sempre aquilo que é moralmente certo, independentemente das condições. Quem não o faz é ignorante, ou é estúpido, ou é, simplesmente, egoísta. Ou não?

Há tempos vi uma mensagem do género, "se queres que as pessoas façam alguma coisa, torna-o fácil, torna-o divertido". Apontei-a por ser tão importante. Ela recorda-me que as pessoas, quando decidem fazer alguma coisa, não só escolhem o que está certo, mas também aquilo que é mais fácil, confortável, barato, divertido e que lhes ofereça algum benefício. Não é que elas sejam más pessoas quando não reciclam ou não votam ou não doam sangue, mas às vezes é muito difícil fazer essas coisas todas.

É difícil fazer o que está certo. Se calhar tem mesmo de ser assim. O que é bom, e o que está certo, deve dar trabalho. Ou não? Talvez seja errado continuar a pensar dessa forma e, por não mudarmos essa maneira de pensar, as pessoas continuam a ignorar assuntos importantes tal como o ambiente.

O que está certo, e o que é importante, não tem de ser difícil

Um dia estudava no técnico quando reparei numa campanha de recolha de sangue numa das salas de estudo. Diziam que ofereciam lanche caso ajudássemos. Por vontade de ajudar, ou porque estava com fome, participei. A verdade é que a razão não interessa. Fiz o que estava certo - ajudei alguém em necessidade. Terem ido diretamente à minha faculdade e terem oferecido lanche só facilitou a minha ajuda.

Ou dando o meu exemplo favorito. O Elon Musk formou a Tesla – empresa de carros elétricos – porque queria resolver o problema da poluição. Desde cedo percebeu que se fizesse um bom carro, e não apenas um excelente carro elétrico, teria mais sucesso. Agora as pessoas começam a comprar estes carros porque são melhores e fazem-lhes poupar dinheiro. Ah, sim, e também ajudam o ambiente. As pessoas fazem o que está certo, mas não têm de gastar um dinheirão ou prejudicar a sua vida por causa disso.

O que está certo não tem de ser difícil de fazer. Não tem! Se as pessoas pudessem votar online não haveria tanta abstenção; se houvessem ecopontos em todas as ruas as pessoas reciclariam mais; se a fast food não fosse tão barata e tão boa e tão acessível, as pessoas comeriam melhor.

A solução é simples. Temos de ajudar as pessoas a tomarem boas decisões, mostrando e dando-lhes benefícios por ajudarem o ambiente, os animais, ou qualquer outra coisa importante. Este site premeia ideias originais, divertidas e que estimulem bons comportamentos nas pessoas. Por exemplo, o vídeo seguinte mostra como se conseguiu estimular o uso de escadas ao invés de passadeiras rolantes.


Paremos de pensar que as pessoas são perfeitas e que tomam sempre a decisão certa. Todos nós procuramos sempre o melhor para a nossa vida. Às vezes tomamos decisões moralmente erradas, ou ignoramos aquelas que estão certas, porque temos de nos "safar". Com ideias como a anterior, podemos ajudar as outras pessoas, ou o ambiente, ou qualquer outra coisa, e ainda "lucrar" com isso. Só temos de dar claros benefícios às pessoas que tomam decisões moralmente certas.

A nível pessoal – atingir objetivos, adquirir hábitos, aprender algo novo – acontece a mesma coisa. Vivemos numa cultura que nos diz que o que faz bem é muito difícil e um sacrifício. Mas não tem de o ser. Podemos ganhar hábitos de forma sustentável e aprender coisas novas rapidamente, se adotarmos a técnica e atitude certas. Só precisamos de pensar mais um bocadinho.

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junho 02, 2016

O que é O Macaco de Imitação?

junho 02, 2016
Não é raro ser alvo da pergunta, "o teu blog é sobre o quê?". Também não são escassas as vezes em que não sei o que responder. A pergunta é mais complexa do que parece. Devo responder sobre o que tenho escrito até agora, ou sobre o que gostava de escrever no futuro? Devo dizer qual é o objetivo do blog? Não quero confundir ninguém.

Com O Macaco de Imitação pretendo mostrar que qualquer um pode aprender coisas novas, rapidamente, e que devemos estar sempre a crescer. Por isso, desafio-me e escrevo sobre essas experiências. Desafiei-me a aprender piano em 20 horas, a passar uma semana (168 horas) sem internet, a tirar fotos a todas as fases da lua, a fazer 30 dias de exercício, meditação e escrita e a ganhar 6 novos hábitos em 6 meses

Por outro lado, escrevo post do género "como fazer isto ou aquilo". Nesse sentido escrevi sobre quais os passos para ganhar um novo hábito, como meditar (para totós), quais os 20 (pequenos) passos para aprender qualquer coisa rapidamente ou como testares a tua personalidade.

Mas eu não invento estes temas, e desafios, do zero. A minha inspiração vem de vários blogs e livros. Por isso, escrevo também sobre o que vou aprendendo com eles. Gosto de ler sobre psicologia e produtividade e histórias de quem sonhou e alcançou. Também gosto de ler histórias de ficção e ficção científica. E vou partilhando alguns posts sobre os meus livros favoritos.

Em bom rigor, a pergunta "O que é O Macaco de Imitação?" não se pode separar de outra - "Quem é O Macaco de Imitação?". O que é é um reflexo de quem o faz. Por essa razão, os artigos por vezes fogem do "principal" – dos desafios, dos artigos nos quais mostro como se faz qualquer coisa e dos livros de onde tiro a inspiração para os meus posts. Nessas alturas o blog torna-se num diário – desabafo sobre o que faço, sobre o que vejo e sobre o que sinto. Escrevo sobre surf, sobre crises, sobre as injustiças deste mundo e ponho em perspetiva os meus (ou nossos) problemas do dia-a-dia.

Mas O Macaco não vive só no meu portátil e nestas linhas que escrevo. O Macaco sou eu, e por isso acompanha-me naquilo que eu mais gosto de fazer – viajar. N'O Macaco de Imitação vou escrevendo sobre as minhas viagens - à Turquia, aos Bálticos, à Itália. Quando chego, percebo a beleza do nosso país e também não deixo de o partilhar.

O Macaco de Imitação também não se fecha, e sempre que possível partilha projetos e pessoas interessantes, que ousaram fazer mais e melhor. Espero no futuro ter mais destes artigos – trazer mais pessoas, com outras experiências, outros desafios, outras perspectivas.

Concluindo, O Macaco de Imitação não é diferente da pessoa que o escreve. Não se limita a viver um e um só tema e se esquece do que está à sua volta. É, principalmente, sobre desafios e sobre como crescer, sempre. Mas, noutras alturas, é sobre a vida, sobre viagens e sobre outros projetos.

Para mim, autor, O Macaco de Imitação é também uma desculpa, e uma motivação, para estar sempre a estudar, para começar novos desafios e ganhar novos hábitos. Organiza-me os pensamentos e nele partilho, com outros curiosos, estas experiências que me têm feito crescer. 

Espero que, com este post, tenha respondido à questão inicial. Se não, não faltaram artigos que me justifiquem.

maio 30, 2016

BOOGIE WACT - Voluntariado e Bodyboard em São Tomé - artigo de Francisca Veiga

maio 30, 2016
Poderia reduzir toda esta experiência a uma só palavra. Palavra tão portuguesa, mas do jeito santomense: sodade. No entanto, espero conseguir transmitir-vos um pouco mais do que isso. Isto que se torna um grande desafio - expressar por palavras o que senti no curto espaço de tempo mais rico de toda a minha vida.

Tudo começou em Portugal. Inscrevi-me numa ONG, a WACT (We Are Changing Together), que se diferencia pelo facto de dar oportunidade aos seus formandos de criar o seu próprio projecto. Foi assim que surgiu o Boogie WACT, após um levantamento de problemas santomenses, aliado àquilo que mais gosto de fazer, Bodyboard.


O Boogie WACT surge de forma a trabalhar valores educativos com crianças de forma divertida através do desporto, neste caso, do Bodyboard. Este é um ótimo meio para desenvolver valores e competências como responsabilidade, respeito, resiliência, desafio e cooperação.

Ainda em Portugal foi feita uma campanha de recolha de material, conseguindo angariar todo o material da modalidade necessário à prática do projecto. Desde já aproveito para agradecer a todas as pessoas e marcas que contribuíram com pranchas, pés de pato, shop’s e palavras que me fizeram ter confiança e acreditar realmente nisto.


Mas tudo começou verdadeiramente em São Tomé. Logo no primeiro dia fui confrontada com aquilo que a raposa do principezinho diz “O essencial é invisível aos olhos”. É em São Tomé que, para mim, esta frase ganha um verdadeiro sentido.

Os primeiros dias passados em São Tomé, de visita às roças perto do local onde morámos, Guadalupe, são um misto de emoções e sentimentos meio inexplicável. Olhei à volta e via uma pobreza com a qual nunca me tinha deparado. Vejo porcos e galinhas a deambularem pelas ruas no meio das pessoas. Vejo crianças curiosas a correrem descalças e rotas, em total liberdade pelas ruas imundas e cheias de pó, a tocarem-me como se fosse uma extraterrestre mas, no minuto seguinte, a lutarem para me darem a mão. É um misto de cheiro a peixe podre com aquele cheiro típico santomense, com lixo.



E o modo de vida daquelas pessoas…tudo isto me fez entrar em choque comigo mesma, porque ali não havia aquelas coisas que o mundo diz que são importantes. Mas ao mesmo tempo, via sorrisos brancos radiantes em rostos contrastantes de ébano, e força e profundidade de carácter nos olhos das pessoas.  Ouvia vozes felizes, risos cantantes, e assim percebi que ali havia tudo o que era realmente importante - paz e uma alegria inquestionáveis.

E eu, eu também o senti! E neste momento, não me consigo imaginar mais feliz do que fui em São Tomé. Passado o choque, foi instantâneo o amor que senti por aquele lugar e por aquelas pessoas.

Após este choque cultural (e interior, para dizer a verdade), estava na hora de colocar mãos à obra e começar a pensar no projecto. Deparei-me com um problema. O projeto que tinha desenhado para ser implementado em Santana, fez-me viajar uns km’s mais a sul, para Ribeira Afonso, por me deparar com uma comunidade mais carenciada e que oferecia melhores condições de segurança para a prática do Bodyboard.


Ainda assim, a sorte estava do meu lado. No primeiro dia de visita à praia das Sete Ondas deparo-me com um ambiente fascinante: vegetação que abraçava toda a praia, boas ondas, e a sorte de encontrar as pessoas certas que acabaram por me acompanhar sempre. Conheci três jovens escuteiros mais ou menos da minha idade, e uma senhora mais velha. Todos muito responsáveis, e figuras de valor perante as crianças da comunidade, como uma espécie de irmãos e mãe, não só para as crianças, mas também para mim. 

Foram eles que me receberam e acolheram, e fizeram-no de forma tão reconfortante que neste momento o Boogie WACT está lá, mesmo eu estando cá. E o mesmo acontece com o meu coração.

O que me assustou mais nesta mudança para uma comunidade mais distante da cidade, era o tempo que iria passar em viagens de hiace. Hiace, que aventura! Uma carrinha de nove lugares, onde o habitual é andarem 15 pessoas (no mínimo), e que me fez começar a perceber um bocadinho daquela língua melodiosa. Oh, quantos pedidos de casamento recebi eu naquele ambiente (romântico?).


Com o sovaco de uma senhora a roçar-me bem perto do nariz, com uma perna minha entre as pernas de outra senhora, com duas crianças a pingarem ranho do nariz ao meu colo e com um alguidar de peixe minado de moscas algures perto de mim. Eu só lhe sentia o cheiro, por ter a visibilidade reduzida pelo excesso de população que ali se encontrava naquele cubículo sobre rodas, Kizomba em volume máximo, e claro, todos aos berros.

Uma condução exímia, não pela positiva, mas os buracos na estrada não ajudavam, fazendo com que 70 km diários fossem feitos aos zigue-zagues e acabassem por parecer intermináveis. Mas ao fim de dois dias tudo isto já me parecia normal, já todos me conheciam como a “brranca” e, sem me aperceber, quase que já agia como eles. Por pouco não comecei a falar crioulo também.



Rebobinando. No dia de apresentação do projecto a Ribeira Afonso, já com a minha equipa de monitores formada, apareceram-me cerca de 150 crianças à minha frente a gritaram “eu quero correr prrancha, me escolhe”. O que é que eu faço à minha vida?

Não imaginam o desespero que é ter de escolher apenas 50 destes miúdos. Queria que todos ficassem, mas não podia comprometer a segurança de nenhum deles. E assim foi, 50 filhos que tinha ganho naquele momento, à minha frente, ansiosos por aprender o que eu tinha para lhes dar, mas ao mesmo tempo felizes por saberem que eu também queria aprender algo com eles.


O primeiro dia passado na praia com as crianças foi dedicado a explicações do projecto, regras e responsabilidades. Achava que seria um desafio, por ir já de sobreaviso de Portugal: “Olha que eles não cumprem horários”, “Olha que eles não aparecem todos os dias”. Pois é, neste momento eu assemelho-me a um pavão, porque nunca tive de combater esses problemas, uma vez que os miúdos estavam tão excitados com o Bodyboard que chegavam às aulas antes de mim, e raramente falhavam. 

Depois foi a vez dos miúdos me ensinarem alguma coisa, como por exemplo, trepar a um coqueiro. Diga-se de passagem, tentativas falhadas, mas risota na certa. Bolas, sou um falhanço!

Parece que tenho este momento gravado na memória. Não a tentativa de subir a um coqueiro, que é para esquecer, mas o de estarmos todos sentados a comer cocos, caroço e cana-de-açucar, e de todos me chamarem para ver as suas habilidades “Frrancisca, Frrancisca, vê”. De todos rirmos muito, rirmos da parte mais intima do nosso ser, rirmos com a alma, e de eu pensar: já não vejo sujidade, já não vejo doenças, vejo apenas crianças perdidas de amor e eu faminta por partilhar isto com elas. Era esta a minha família nas próximas semanas.


A primeira aula que dei foi extasiante - colocar aqueles miúdos em cima de uma prancha, a cumprir objetivos e responsabilidades, a refletirem sobre as suas aprendizagens, e a conseguirem fazê-lo. Isso fez de mim a pessoa mais feliz do mundo. Comecei a pensar “isto é real, eu estou aqui e estou a conseguir. E ver o sorriso deles quando deslizavam uma onda, fazia-me sorrir ainda mais.

Passado uma semana, já todos cortavam a onda. Passado duas semanas alguns já queriam começar a fazer “girro” ou, melhor dizendo, 360. Com o passar do tempo, notei uma melhoria acentuada no discurso reflexivo deles, no feedback que davam aos colegas e na cooperação inter-grupo. E é aqui que me cai a ficha, “isto realmente está a resultar, os miúdos estão a crescer graças ao Bodyboard”. E também sentia profundamente que estava a crescer graças a eles.


Após a aula de cada dia não conseguia voltar logo para casa. Todos me queriam mostrar algo, todos me queriam ensinar algo. E foram assim passadas as minhas tardes depois das aulas. A jogar ao jogo da lata, a (tentar) pescar polvo, a jogar à bola com uma bola de pano e sim, tão descalça quanto eles. Também foram passadas a treinar a subidas aos coqueiros, a fazer acrobacias na praia, a ajudá-los a buscar água para as suas famílias, a lavar as suas roupas e a passear para as roças mais próximas de Ribeira Afonso.

Os últimos dois dias foram dedicados a um campeonato Boogie WACT. Mais uma experiência para a qual não encontro palavras para descrever. O que senti quando os vi competir? Primeiro um orgulho imenso por os ver a cortar ondas, muitos deles a tentar e alguns até a conseguir fazer 360 (versão santola). Mas quando alguém o fazia, inevitavelmente eu fazia uma festa como se tivesse ganho a lotaria.


Senti também que eles sentiam exatamente o mesmo que eu sentia quando era eu a competir. Cada um ia para o seu canto aquecer e concentrar-se, com nervos à flor da pele. E quando saíam e sabiam que tinham perdido o heat, os olhos deles brilhavam de lágrimas, e encostavam-se a um canto a refletir sobre o que tinha corrido mal. Até aqui, objectivo cumprido. Mais uma aprendizagem - lidar com a derrota. Mas ainda era difícil para eles verem o lado positivo disto.

Algo de que eu nunca me vou esquecer, para além de tudo isto, é do caminho para a praia. 25 crianças, 4 monitores e eu, mais uns curiosos que vinham sempre ver as aulas. Cada aluno com a sua prancha na cabeça, cantávamos e dançávamos o caminho todo, com aquele sorriso contrastante deles e de forma a combater a ânsia de chegar à praia e atirarem-se à água para surfar.


“1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 nós somos Biguie Uequi, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 Biguie Uequi há só um. A Frrancisca apareceu, Ribeirr’Afonso agrradeceu. Eu só quero aprrender, o Biguie Uequi faz crrescer, o Biguie Uequi faz crrescer”.

Saio de São Tomé com a certeza de que entreguei o meu coração a um lugar onde nunca tinha estado. Todas as palavras se tornam pequenas para transmitir uma fração que seja desta experiência. Oh, o que eu aprendi com estes corações radiantes. Hoje, inspiro fundo para que o ar me relembre aquilo que só consigo descrever como “São Tomé”.



Em Julho de 2013, quando fui para São Tomé, achava que ia mudar aquelas crianças. E acho que mudei! Mas regresso com a certeza de que elas me mudaram a mim. Trago comigo também a convicção inabalável de que as pessoas são o que mais importa. Estou determinada de que não sou eu que vou mudar o mundo. Mas contento-me com esta pequena mudança. Pequenas mudanças que se vão acumulando.

maio 26, 2016

3 meses e 3 hábitos

maio 26, 2016
O Macaco de Imitação é sobre aprender coisas novas e sobre aceitar (e concluir) novos desafios. Já partilhei aqui as minhas experiências sobre aprender piano em 20 horas, aprender malabarismo, estar uma semana (168 horas) sem internet e fazer exercício, meditar e escrever durante 30 dias.

Em fevereiro tive outra ideia – ganhar 6 novos hábitos nos próximos 6 meses. Inspirado pela falta de resultados das resoluções de novo ano, decidi tentar ganhar hábitos mais lentamente, um de cada vez, para garantir que teria sucesso e que seriam hábitos de longa duração. Já estou no 4º hábito deste desafio.

Há ainda hábitos mais importantes que outros - aqueles que facilitam o ganho de outros hábitos. Por exemplo, se eu faço exercício regularmente, é mais fácil começar a comer melhor. Esses hábitos-chave devem ser os primeiros a trabalhar. Fazer as coisas mais lentamente e focar em hábitos-chave foram as "teorias" que eu inclui neste grande desafio.


Ciclo do hábito: deixa, rotina e recompensa. Imagem retirada do livro A Força do Hábito, de Charles Duhigg. Sugiro a leitura de um artigo passado sobre como ganhar ou quebrar um hábito.

Hábito 1 - Concentração

No primeiro mês dediquei-me a aumentar a concentração. Estive um mês a "aprender" a depender menos das redes sociais, emails e notícias. Além disso eliminei quase por completo um hábito muito estúpido que é partilhado pelo povo - mexer continuamente no telemóvel enquanto estamos com amigos no café. 

No final do mês sentia-me mais concentrado no trabalho, no lazer, ou em qualquer coisa que estivesse a fazer. E por depender menos de gostos, comentários, visualizações e afins, consegui diminuir a ansiedade que sentia há algum tempo

Foi um hábito importante para conseguir fazer mais em menos tempo e com menos stress. Ajudou-me bastante no ganho dos hábitos seguintes.

Esta é a minha ideia da malta que não se desconcentra com redes sociais, notícias ou emails, e faz aquilo que tem a fazer. Foto de pixabay.com

Hábito 2 - Organização

Dediquei o 2º hábito a aprender a "fazer mais e pensar menos". Na prática, defini um método para não me esquecer das coisas importantes, para não pensar tanto e não deixar coisas na cabeça, definir objetivos mensais, semanais e diários, e garantir que as coisas importantes são feitas. Não consigo deixar de realçar a importância deste hábito e sugiro a leitura desse artigo onde explico com grande detalhe o que fiz durante este mês. 

É muito importante definir objetivos para garantir que estamos a trabalhar, ou a dedicar o nosso tempo livre, às coisas certas. Sem objetivos e sem tracking daquilo que temos de fazer, e quando o temos de fazer, andamos à deriva. E se durante o dia estamos continuamente a pensar em tudo o que temos para fazer, facilmente nos desconcentramos da tarefa em curso. É importante resolver isso para ter um dia-a-dia com menos ansiedade e focado naquilo que interessa.

O cérebro do não-procrastinador. Imagem tirada do meu blog favorito, WaitButWhy.

Hábito 3 - Meditação

O 3º hábito dos 6 meses e 6 hábitos, meditação, trabalhou nos campos da concentração e gestão de stress. Esta foi, talvez, a minha 7ª tentativa para começar este hábito, mas parece que desta vez está ganho. Parece fácil estar sentado e não fazer nada durante 5 ou 10 minutos. Mas sem a preparação e motivação certas, qualquer um desconcentra-se e vai deixando passar alguns dias sem meditar.

Meditar tem vindo a revelar-se, por diversos estudos, como um dos melhores hábitos para uma vida saudável e feliz. Aconselho a qualquer um experimentar 5 minutos de meditação por dia. No final deste mês e meio de meditação, sinto-me mais calmo e em controlo dos meus pensamentos. Não estou como as pessoas da primeira foto deste artigo, nem perto, mas até pequenas melhorias na corrente de pensamentos têm resultados muito positivos.

Foto tirada no topo da Serra de Monchique, no verão de 2013. Por razão desconhecida, o terreno tinha centenas destas "construções" de pedra ao qual associamos a meditação e budismo (sinceramente, não conheço a ligação, mas deve ser uma metáfora ao equilíbrio da alma ou assim). Já nesta altura pensava em começar a meditar.

Próximos hábitos

Há que realçar uma coisa – eu continuo a praticar estes hábitos que escrevi acima. Estes hábitos não são desafios de 30 dias, que ao final do mês são esquecidos. O objetivo deste grande desafio é, ao final de 6 meses, ter um leque de 6 novos hábitos que, potencialmente, servem para ter uma vida mais feliz, saudável e focada naquilo que realmente interessa.

Já comecei a fazer o 4º hábito – exercício físico regular. Nos próximos 30 dias quero fazer desporto, pelo menos, 3 vezes por semana, seja esse surf, corrida, ténis, ou mesmo andar de skate. O que importa é fazer desporto regularmente.

Se estás interessado nesta série de hábitos, convido-te a seguir o resto dos "6 meses e 6 hábitos". Convido-te também a partilhar as tuas experiências nos comentários e a enviar um email para O Macaco (omacacodeimitacao@gmail.com) sobre estes e outros assuntos. Até um próximo hábito.

Conhece a página do Facebook d'O Macaco de Imitação.

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maio 24, 2016

19 horas em Istambul

maio 24, 2016
Visitar Istambul em apenas 19 horas. Parece pouco, mas há tempo para conhecer o local mais bem perfumado de sempre, para ser roubado, para comer algo tradicional e para olhar e fotografar a Ásia. Também há tempo para andar descalço numa mesquita, para que me perguntem várias vezes se sou árabe e para ser alvo de uma oferta forçada de cigarros.

Na semana passada escrevi sobre a viagem que fiz pela Sicília durante 2 semanas e quando, de entre outras coisas, passei uma semana a navegar num barco à vela. Mas a maior surpresa desta viagem, organizada pela VOYAGE, foi as escalas que fiz em Istambul, cidade que nunca tinha visitado.



Fiz apenas duas escalas de 19 horas em Istambul, no início e fim da viagem à Sicília. Na primeira cheguei ao hotel quase às 2 da manhã. Foi o tempo suficiente para ir dormir umas horinhas, levantar-me cedo e ver o centro da cidade em 3 horas. Já na segunda escala, fiquei a descansar no hotel já que não tinha muito tempo – estive a ler, a dormir, a pôr o Game of Thrones em dia e a comer que nem um sultão.

Antes de avançar com o artigo, é importante passar a informação que a Turkish Airlines pagou pela minha estadia na cidade. Eles lá têm uma política em que pagam o hotel em Istambul quando o voo faz escalas superiores a 10 horas.


Foto tirada no transfer entre o aeroporto e o hotel. A turquia de raspão.
Tamanha felicidade só é justificada por estar a dormir num hotel de 5 estrelas e não pagar um euro, ou lira.

Istambul

Caí em Istambul de paraquedas -  não sabia que ia fazer escala na Turquia até um dia antes da viagem começar. Por isso, não tive tempo para pesquisar os melhores sítios. Tive de improvisar e perguntar aos meus amigos turcos onde devia ir, o que visitar e o que comer.

A maior recordação que trago de Istambul são os cheiros. Tudo cheirava espetacularmente bem – o hotel (o local mais perfumado à face da Terra), as mesquitas e a comida tradicional.

Impressionou-me a quantidade de carros que existem nesta cidade e a maneira como esta gente conduz. Pelo contrário, não me impressionou o facto da grande maioria dos carros apresentar várias amolgadelas.




A Mesquita Azul.

E as pessoas. Excepto a história que escrevo de seguida, todos os turcos foram muito simpáticos comigo. Sorriam, paravam tudo para me dar indicações e perguntavam se eu era árabe. Até houve um motorista (do transfer entre o aeroporto e o hotel) que me ofereceu cigarros - mesmo depois de saber que eu não fumava, estendeu-me os cigarros para ver se me convertia.

Impressionou-me que tudo fosse arrumadinho. Fascinou-me este limite entre duas culturas. E tirando as fotos gigantes que vi do Ronaldo e da Sara Sampaio, o que mais se via eram bandeiras da turquia, de tamanhos enormes, penduradas em tudo o que é lado.


Uma das milhares de bandeiras turcas espalhadas pela cidade.
Chá Turco a 80 cêntimos numa esplanada no centro histórico da cidade. O melhor preço-qualidade de sempre.

Um dos pontos altos da visita pelo centro foi visitar a Mesquita Azul. Descalço, como assim tem de ser, lá entrei nesse paraíso. Fiquei encantado. Novamente, os cheiros eram espetaculares, e com o chão todo alcatifado e com poucas horas de sono, apetecia esticar-me no chão e dormir uma sesta.

Resumidamente, dei umas voltinhas a correr pelo centro da cidade, vi as duas mesquitas principais, dei a volta ao parque gigante lá do centro e consegui tirar uma foto à Ásia. No final, e já cheio de pressa para não perder o avião, comi um kebab tradicional. Nada mal para uma visita de 3 horas.


Interior da Mesquita Azul.

Os 2 taxistas

Esta é uma história sobre aparências e sobre não confiar nas primeiras impressões.

Apanhei dois táxis para fazer as viagens (caóticas) entre o hotel e o centro da cidade. Aliás, teve mesmo de ser assim, porque se andar de carro por Istambul demora o seu tempo, nem imagino como são os transportes públicos. E já que eu tinha de me despachar, teria de utilizar táxis. Adiante.



Para o centro da cidade fui convidado a entrar num táxi de um turco, com os seus 30 e tal anos, e dentes que simpatizavam com a limitada capacidade de contagem de uma criança de 5 anos. Deste lado, só pedia para não ser aldrabado e para chegar vivo ao centro de Istambul.

Foi uma viagem espetacular. Com o seu inglês arcaico, apontava e falava-me em turco, indicando-me o nome das praças e das ruas. Rimos com esta conversa entre um que não sabe inglês e outro que de turco só conhece o kebab. Perguntou-me se eu era árabe (por alguma razão pareço árabe nesta terra) e eu lá disse que era de Portugal (que orgulho!). Foi uma viagem agradável, e no final ainda me fez um desconto, ou seja, arredondou a conta para o meu lado.



Fotografia ao outro lado da cidade, o lado Asiático.
Depois de visitar o centro da cidade – depois de ver as mesquitas e parques e comer qualquer coisa à pressa – tive de voltar para o hotel e apanhar um táxi novamente. Desta vez o meu motorista era um senhor de meia idade, bem vestido, penteado e com a dentição completa. Pensei eu que, se não tinha sido aldrabado na primeira viagem, também não seria agora que teria esse azar. Mas estava enganado.

A verdade é que, já perto do final da viagem, olhei duas vezes para o taxímetro e da primeira marcava 25 liras e mesmo no final tinha saltado magicamente para as 70. Ora está que eu não tinha dinheiro suficiente, em liras, para pagar tamanha qualidade de serviço. Por essa razão, por algum receio do que pudesse acontecer e alguma estupidez da minha parte, acabei por pagar quase 40 euros ao senhor penteado e bem vestido.

Moral da história – não julgues uma pessoa pelos dentes.


Já na segunda escala, no final da minha viagem, presenteei-me com comida tradicional no hotel. Esta foi a recomendação do chefe. Ainda consigo sentir o sabor desta comida.
Na viagem de regresso a Lisboa.
Tirando esta última história, as minhas 19x2 horas em Istambul foram fascinantes. Consegui visitar a cidade, espreitar um pouquinho da cultura turca, ver outro continente e provar pratos deliciosos.

Mas ficou muito por ver. Tenho de voltar a Istambul e visitar esta cidade com calma. Ter tempo para absorver esta cultura incrível. Para cheirar e provar e ver tudo o que há nesta cidade.

O primeiro taxista bem apontava para todas as coisas e dizia que tudo era belo. E, de facto, com dentes ou sem dentes, tinha razão.