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Viajem pelos bálticos no século XXI – parte 1/2

Viajar no ano 2015 é uma experiência completamente diferente do que seria no ano 1985. Em 30 anos, apareceu a Internet, o telemóvel, o GPS, o google, as redes sociais e, para tornar tudo mais fácil, o smartphone. Em qualquer lado do mundo – ou pelo menos da Europa – há uma rede wi-fi. Basta agarrar no iPhone, e sabemos tudo. Nunca a experiência de viajar foi tão social.

No último mês fiz mais uma viagem pela Europa. Estive 27 dias na Bélgica (Bruxelas, Leuven e Antuérpia), Polónia (Varsóvia), Lituânia (Vilnius, Kaunas e Klaipeda), Letónia (Riga) e Estónia (Parnu e Tallin). Visitei vários pontos turísticos, mas também vivi experiências únicas. Neste post falo sobre esta dualidade.

A nossa viagem começa por terrenos familiares. Encontramo-nos com um amigo em Leuven, na Bélgica, e ele diz-nos aquilo que devemos visitar nos próximos dias. Conhecemos esta cidade universitária, e passamos 2 tardes em Bruxelas e Antuérpia. Estes 5 dias passam rapidamente. Encanto-me com a arquitectura Belga, com os seus edifícios altos e finos, e com as grandes torres que parecem brotar de todas cidades. Os belgas parecem-me pessoas simples. Gosto que andem de bicicleta para todo o lado e das centenas, senão milhares de cervejas que têm na carta. Facilmente vivia neste país.

Antuérpia, Bélgica
Biblioteca de Leuven, Bélgica

No entanto, fico triste com a massificação do turismo, que altera o aspeto tradicional das cidades. Por todo o lado aparecem lojas de souvenirs, espétaculos de rua, que embora divertidos, nada têm a ver com a cultura do país, e restaurantes americanos e chineses e indianos. Todos tentam vender qualquer coisa, tudo é caro, e até para ir à casa de banho se tem de pagar. Acabamos por não viver em pleno o país que estamos a visitar. Há um manto turístico por cima da vida quotidiana destas pessoas e é difícil distinguir entre o que é cultura e o que é a globalização.

Arquitectura Belga
Milhões de pessoas vêm a Bruxelas para ver esta estátua e depois deparam-se com esta desilusão.

É na chegada a Varsóvia que encontro uma das razões pelas quais gosto de viajar – a quebra de preconceitos. Esperava encontrar uma cidade feia e sombria, consumida pela dura história da 2ª guerra mundial. Ao invés, vejo largas avenidas, tudo bem arranjado, muitas cores, e um centro histórico re-construído com as fachadas originais. Varsóvia foi a cidade que mais me impressionou nesta viagem. Faz-me pensar em todos os preconceitos que retemos sobre outros povos – muitas vezes alimentados pelas notícias que vemos e ouvimos na televisão e internet.

Varsóvia, Polónia
Varsóvia, Polónia
O símbolo da cidade de Varsóvia, Polónia

Depois de uma semana entre a Bélgica e a Polónia, partimos para os Bálticos. Vamos sem espectativa. Sabemos pouco sobre estes países, porque há pouca informação na internet. Ao que parece, são pouco turísticos e, por essa razão, atraem-nos. É, por um lado, o gene português – ir à conquista de um novo território – e, na Europa, isto é o mais longe que podemos fazer nesse sentido.

Passamos 1 semana na Lituânia por 3 cidades – Vilnius, Kaunas e Klaipeda – cidades pequenas, que nada têm a ver com as grandes, ou médias, capitais da Europa. No entanto, devido ao baixo turismo, conseguimos ter acesso à verdadeira cultura do país. Em Kaunas ficamos positivamente impressionados com a 2ª maior cidade da Lituânia, depois de termos passado pela pequena capital. Em Klaipeda ficamos negativamente impressionados com uma cidade à beira mar que, ao que parece, de verão e de festa, tem pouco.

Centro de Vilnius, Lituânia
Vilnius, Lituânia
Vilnius, Lituânia
Comida típica da Lituânia. Pela nossa experiência, é parecida com a gastronomia da Polónia, Letónia e Estónia. Ao longo destas 2 semanas fazemos um esforço para provar a gastronomia destes países e, quanto mais o fazemos, mais saudades temos de Portugal.

Castelo de Trakai, Lituânia
Kaunas, Lituânia
Praia em Klaipeda, Lituânia.
Depois de 50 km de bicicleta, chegamos à pequena vila de Nida, na Lituânia.
Nida, Lituânia.

O post seguinte é sobre as semanas 3 e 4 desta viagem pelos bálticos. Aí escrevo sobre a Letónia, a Estónia e sobre como a Internet nos assiste em viagem. E, já que visitamos todos os mesmos pontos turísticos, escrevo sobre o que torna uma viagem única. Segue para a segunda parte aqui.

Sobre esse último ponto, não posso deixar de falar nos portugueses que vamos conhecendo em viagem. Sempre aos pares, é uma festa quando os conhecemos. Bebemos, partilhamos histórias de viagem e grita-se Portugal muitas vezes. Onde está um Português, estão logo 2, 3, ou 23.