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O Homem e o Papagaio (ou aprender a pensar) – “viver à boss”, parte 2/4

Estás a ouvir aquela voz na tua cabeça? Aquela que não se cala, que está sempre a comentar, a apontar e a criticar? Aquela que não te deixa aproveitar o momento, que assume o pior dos outros e que passa a vida no passado, naquilo que devias ter feito, e no futuro, nas coisas todas que queres fazer? Pois, essa voz não és tu, essa é o Papagaio.

Na nossa cabeça existe um papagaio. Sim, é verdade, há estudos que o comprovam. E esse papagaio é responsável por todos os pensamentos menos bons e toda a conversa desnecessária que começa na tua cabeça. O meu chama-se Donaltim e tem mais ou menos este aspeto:

papagaio

Um papagaio normal, certo? Mas não te deixes enganar pelo seu aspeto, até um pouco gozão, porque o gajo é capaz de cenas terríveis. Já te explico…

E o teu papagaio, como se chama? Tens de lhe dar um nome se ele ainda não o tem. E também precisas de visualizar o teu papagaio na tua cabeça, para que percebas todas as coisas que vou escrever neste artigo. Quanto melhor tiveres essa imagem, do papagaio a falar contigo, ou a falar à parva, melhor.

Mas espera! Leste o primeiro post desta série? Não? É que este já é o segundo! Vá, segue lá este link e lê a primeira parte da série “viver à boss”, onde apresento 19 livros de auto-ajuda e onde explico o propósito desta série. Já está? Então continuemos.

Neste post escrevo sobre a importância do controlo dos pensamentos na qualidade de vida. O que aqui vou escrever são coisas que fui lendo, pesquisando e tirando notas. E explico como podemos controlar os papagaios deste mundo, porque são eles os responsáveis por estes pensamentos todos.

Nota inicial

Os cientistas têm vindo a descobrir que a infelicidade, e a origem do sofrimento, reside no diálogo interno. Entre os dois “eus”, o que vive e o que pensa – o Francisco e o Donaltim. E um dos nossos problemas é que confundimos os dois e achamos que o papagaio somos nós. Claro que os tipos do Tibete, e os filósofos gregos da antiguidade, já falam disto há milhares de anos. Já nessa altura se sabia o que era viver bem – dêem-me um pouco de vinho, um bom livro, e tenho a tarde feita.

Isto quer dizer que a felicidade não está, expecto situações extremas, no mundo externo – na nossa condição de vida, no carro novo, na casa de férias, no prestígio ou poder. Está no mundo dos pensamentos e no seu controlo; está na maneira como nos relacionamos com o que nos acontece e com as pessoas que connosco partilham a vida. Está no controlo sobre o papagaio e sobre aquilo que ele diz.

In the words of the economist Tim Jackson: “We spend money we don’t have on things we don’t need to make impressions that don’t last on people we don’t care about” (8)

Ao longo deste artigo apresento também umas frases, retiradas dos livros que li e apresentei no último post. Estas frases não foram traduzidas porque não as consigo traduzir fazendo justiça à qualidade do que foi escrito. Os número no final de cada frase indicam a fonte, que tem a mesma numeração dos livros que apresentei nesse post anterior.

De seguida apresento os 7 maus hábitos do papagaio, que devemos 1) reconhecer para 2) treiná-lo de maneira diferente. Deste lado vou escrevê-los, vou pensar neles, vou re-escrevê-los, vou pensar novamente em todos eles e vou publicar o post. Depois vou lê-los novamente, e voltar aqui de tempos a tempos. Porque se não o fizer, nunca vou aprender e começar a praticar aquilo que aqui escrevi.

Os 7 maus hábitos do papagaio

1. O Papagaio interpreta tudo mal

Se não somos felizes ou infelizes por causa do carro e da casa, ou do trabalho e do poder, e das condições da nossa vida, qual é a origem da felicidade? É, arrisco eu, a interpretação do que nos acontece. E dizes tu, “ah e tal, e se espetar um prego no pé? Como posso ser feliz nessa situação? Algumas condições contam pá!” Sim, contam, como por exemplo ter amizades de qualidade e condições básicas de vida. Mas quase todos temos isso assegurado, não é verdade? E mesmo assim vivemos insatisfeitos com a nossa vida.

Não é importante aquilo que nos acontece, mas a nossa interpretação desses eventos. E nós, lá no fundo, porque já lemos isso em qualquer lado, até sabemos isso. Mas o papagaio que vive connosco não se deixa ir abaixo tão facilmente, e para ele tudo é um caos.

A verdade é que todos nós conhecemos aquele gajo que está sempre feliz, mesmo que a sua vida pareça uma merda. E também conhecemos aquele tipo que tem tudo para ser feliz, e que, admitamos, até nos causa alguma inveja, e que depois queixa-se constantemente que a vida não é boa. Mas que brincadeira é essa? Fácil, o primeiro sabe pensar e não se deixa levar por pensamentos destrutivos, e o segundo é uma pu** dos pensamentos – vai com todos.

Ou, visto de outra perspectiva, o primeiro faz-se acompanhar de um papagaio bem ensinado, que sabe as melhores palavras, é educado e não chama nomes aos convidados que levas lá a casa. O segundo tem um papagaio que está sempre de trombas e que não se cala. É importante perceber que podes ter papagaios diferentes em alturas diferentes da tua vida. E quanto mais eles andam soltos, maiores e mais fortes ficam. A imagem seguinte apresenta um desses papagaios que está lixado por alguma razão.

papagaio

Happiness comes from our response to the conditions of our lives. How you conduct yourself along the path that is your life determines how your life unfolds. (18)

Temos que entender que o papagaio só existe na nossa cabeça. E falar continuamente é, para ele, um instinto de sobrevivência. S e o deixamos ganhar força, se conversamos com ele, se lhe ensinamos as piores palavras, ele vai crescendo e crescendo. E cada vez fica mais difícil controlá-lo e começamos a dar-lhe mais e mais atenção. E a nossa vida sofre, porque, diz o primeiro hábito, o papagaio interpreta tudo mal.

Então como podemos treinar o nosso papagaio? Como fazer com que ele só fale quando necessário? Como evitar que ele se torne num papagaio gigante, num Donaltim que não nos deixa dormir? Não é fácil! Mas o primeiro passo é reconhecer quais são os seus hábitos e, gradualmente, ir reconhecendo que o papagaio é um animal de estimação, que não pode ter o poder de controlar a tua vida e que o podes treinar.

Temos de lhe ensinar que um evento, algo que nos acontece, não é bom ou mau. Isso, tal como ele, não existe. Ser bom ou mau é uma opinião NOSSA. Outros podem ter uma opinião diferente. E se o nosso papagaio tem como hábito focar-se no lado negro, então o que nos acontece está sempre aquém.

Grande parte da felicidade (esta agora é importante, toma nota) não está nas coisas ou pessoas, nos eventos e na nossa condição de vida, mas sim na nossa interpretação sobre todas essas coisas. Reconhecendo esses pensamentos, quando é que o papagaio está a falar, é o primeiro passo para uma vida mais completa e feliz.

2. O papagaio é pessimista

Tenho sido injusto com o Donaltim. É certo que ele fala muito, é certo que ele diz palavras que não estão certas e é certo que ele estraga muito momentos da minha vida. Mas ele não faz por mal – só quer atenção. E ele sabe que eu dou mais importância a pensamentos negativos que a positivos, e então trabalha dessa maneira. Isto é assim com ele, e é assim com todos os outros papagaios – são pessimistas por natureza.

Já todos estivemos numa situação difícil, em que os pensamentos negativos se acumulam, a conversa com o papagaio não pára, e não conseguimos tirar sentido do que se está a passar. Com tanta conversa, sentimo-nos cada vez pior, sufocados e mais infelizes. É esta conversa interior que te deixa cansado e é a fonte do sofrimento.

Os papagaios escolhem o lado negro da força, os pensamentos negativos. E então, por vezes, o teu papagaio transforma-se no que eu chamo, o papagaio “Darth Vader” e aí tens a tarde estragada:

papagaio darth vader

A verdade é que se tivermos pensamentos felizes, vamos ser felizes. Mas se pensarmos que vamos falhar, vamos falhar. E se tivermos pensamentos negativos, vamos ficar stressados ou depressivos. Retirando do contexto no qual foi dito, já Decartes dizia “penso, logo existo”.

Devemos afastar os pensamentos negativos? Devemos combater, com todas as nossas forças, interpretações erradas sobre eventos, coisas e pessoas? Devemos gritar com o papagaio? A resposta intuitiva seria “sim!”. Mas, se fosse assim tão intuitivo, ninguém precisava de ler livros de auto-ajuda e de ler (e no meu caso escrever) este post. Infelizmente a resposta é não!

Não conseguimos evitar que os pensamentos menos bons apareçam. O Donaltim vai ter sempre alguma coisa a dizer e não há como o evitar. O truque é reconhecer que é o papagaio que está a falar e, cordialmente, deixá-lo estar lá sentadito, sem ninguém com quem conversar. O truque não é afastá-lo nem fugir dele, mas sim dizer, “ok, eu sei que estás aí, eu sei qual é o teu propósito, mas vou escolher ignorar-te”, tal como fazemos com a subscrição do ginásio.

O truque é dar pouca importância à conversa do papagaio, para que ele aprenda que não é assim que se pode fazer ouvir. É esta observação da conversa do papagaio, desses pensamentos, que é ensinada na meditação. Um hábito que por várias vezes já tentei ganhar e ainda não consegui.

É importante reconhecer o que é um pensamento negativo e um pensamento positivo, porque queremos, com o tempo alterar essa maneira de pensar e ter menos dos maus e mais dos bons. Como disse neste post, onde podes fazer o teste de “positividade”, quem tem pensamentos mais positivos é mais feliz e tem mais sucesso. Ou quem tem um papagaio mais educado é mais feliz e tem mais sucesso.

3. O papagaio evita o presente e adora o passado e o futuro

O papagaio detesta budistas e livros de auto-ajuda, especialmente quando eles indicam para vivermos no momento. Porque o papagaio não sabe o que isso é. Apenas sabe arrepender-se daquilo que fez e não fez, e preocupar-se com aquilo que ainda quer fazer.

You cannot find yourself by going into the past. You find yourself by coming into the present. (13)

Ora os budistas, estóicos, cientistas e…eu, concordamos todos neste ponto – não há vida senão no presente. Nem tu nem eu podemos alterar o passado ou afetar o futuro. Isto é tão óbvio não é? E é tão óbvio também, olhando para as outras pessoas, que todos escolhemos ignorar isso tudo.

Se queres ser feliz, tens de ser feliz neste momento. Tens de aprender a silenciar o papagaio, para poderes ouvir a natureza, para que possas ler um bom livro na tua esplanada favorita e para estares bem com as outras pessoas. A felicidade não depende de acabares o curso, teres o trabalho de sonho ou alcançares a promoção. Ser feliz é ser feliz no processo, nos pequenos desafios e vitórias diárias.

É inútil pensar negativamente sobre o passado e o futuro, porque por muito que te arrependas, está feito, e por muito que te preocupes, isso não vai resolver nada. Se acreditares nisso, o teu papagaio também irá acreditar, com o tempo.

Mas atenção! Há utilidade no passado e no futuro. Quando? Quando precisas de perceber o que deves e não deves repetir e para definir objetivos. Esse tempo no passado e no futuro é diferente e tem um sentido prático. Com esse estás à vontade.

Agora promete-me uma coisa – quando já não for útil, volta ao presente e faz aquilo que podes fazer hoje. E tem cuidado, é muito fácil ficar preso no passado e nos “problemas” do futuro. Mas lembra-te, a preocupação é tão útil como saber a chave do euromilhões um dia atrasado.

Aprecia o processo e as pequenas vitórias. Esforça-te para ver o lado positivo de todas as situações e faz o melhor que podes, hoje e agora. E vais notar que ao longo do tempo vais silenciando o teu papagaio, e por isso vais interpretar melhor, ser mais positivo e viver no momento.

Work less, earn less, accumulate less, and “consume” more family time, vacations, and other enjoyable activities (11)

4. O papagaio passa a vida preocupado

O meu Donaltim preocupa-se com tudo. Para ele tudo está errado e vai correr mal. E depois deixa-me em pânico, paralisa-me, e ainda piora a minha situação. Porque desde quando é que a preocupação resolveu alguma coisa? Além do que já ensinámos ao papagaio, temos de lhe ensinar a preocupar-se menos. Se não, às tantas não tens apenas um papagaio, mas dois que discutem um com o outro e preocupam-se a dobrar e por tudo e por nada:

papagaio

O processo é sempre igual – o papagaio começa a falar e a preocupar-te, tu não sabes como lidar com a situação e tentas justificar-te, e acabas o dia a pensar no que não deves, em vez de resolveres aquilo que é preciso para deixares de te preocupar. Das duas uma, ou ignoras o papagaio, ou retiras a fonte da preocupação.

Mas às vezes o que precisamos é de lidar com as nossas preocupações rapidamente – lidar com o papagaio antes que ele cresça. De seguida apresento algumas técnicas que podes utilizar para neutralizar o papagaio e conseguires pensar melhor:

  • Numa situação de preocupação, pensa, qual é o pior que te pode acontecer? Já sabes? Agora aceita esse resultado. Uma vez que já aceitaste o pior que te pode acontecer, pensa no que podes fazer para melhorar a tua situação.
  • Escreve exatamente aquilo que te preocupa. Agora escreve aquilo que podes fazer hoje para deixares de ter esse problema. E faz!
  • Já pensaste na quantidade de vezes que os teus problemas não aconteceram? Pois…isso são coisas que o papagaio não te conta.
  • Estás a pensar no que te pode acontecer? E estás a pensar que vai tudo correr mal? Mas não é igualmente possível as coisas correrem bem? Pensa lá nisso. Se podes assumir que as coisas vão correr mal, e ficar mal-disposto, também podes assumir que as coisas vão resultar e ficar mais alegre.
  • Tens informação suficiente para tomar uma decisão agora? Então toma e resolve já esse problema. Não tens? Então se não há nada que possas fazer, estás a preocupar-te porquê?
  • Podes ajudar alguém? A melhor forma de esquecermos os nossos problemas e evitar conversar com o nosso papagaio é virar a nossa preocupação para as outras pessoas.
  • Se nada disto resultar, mantêm-te ocupado. Faz qualquer coisa que gostes de fazer e irás esquecer os teus “problemas”.

As preocupações, como falei nos tópicos acima, não são mais do que pensamentos errados e deturpados sobre o futuro ou sobre o passado. E aqui as palavras chave são “errados e deturpados” porque se tivesses pensamentos claros sobre as mesmas coisas do passado e do futuro, já não sentias ansiedade.

Além disso, mostrou-se que a ansiedade e as preocupações podem deixar-te muito doente. Por isso, nem que seja pela tua saúde, faz um esforço para treinares o teu papagaio para que ele deixe de se preocupar.

The tricky part in eliminating stress is controlling our imaginations to envision a happy outcome rather than a poor one. If, as part of your philosophy, you believe that every event will turn out for your benefit, stress will never enter the picture. (18)

5. O papagaio acha que é perfeito e que pode controlar o mundo

Há um lado negro no desenvolvimento pessoal. Podemos ser levados a treinar o nosso papagaio para que pense que cada um de nós é o único responsável pelo rumo das nossas vidas. Que é possível, com esforço, sermos quem queremos ser, sem ajuda de outros. Ora, não achas isso um grande exagero? Claro que é, e essa pressão pode criar uma grande ansiedade na tua vida.

Não somos super-heróis e há coisas que não conseguimos controlar. Simplesmente não estão no nosso raio de ação. E se há coisas que não podemos mudar, temos de aceitá-las e temos de nos focar no que podemos fazer. E mesmo sobre estas coisas, temos de ter calma. Não precisamos de mudar tudo já, podemos fazê-lo passo a passo. Sem pressões. O mundo e as outras pessoas pouco esperam de nós, porque estão todos preocupados com as coisas deles.

There’s no point in being unhappy about things you can’t change, and no point being unhappy about things you can. (1)

God grant me the serenity to accept the things I cannot change; the courage to change the things I can; and the wisdom to know the difference. (4)

Muitas preocupações e ansiedades nascem quando 1) tentamos controlar algo que não podemos controlar e, como era de esperar, falhamos e 2) não assumimos o controlo do que podemos controlar, como os nossos pensamentos e a nossa relação com o que nos acontece. Como disse o Rui Unas e o Diogo Morgado, “tens de ter calma!” E pede ajuda aos outros, não estamos sozinhos no mundo!

Mas o papagaio está a cagar-se para isso tudo. Ele quer é fazer ouvir-se a toda a hora. Ele quer controlar a tua vida e fazer-te pensar em situações que não podes alterar, esquecendo aquilo que podes fazer hoje. O gajo quer que sejas perfeito, e tu sabes que não o consegues ser. Mas agora se reconheceres os hábitos do teu papagaio, e se o treinares, o gajo até adormece:

papagaio

Research on happiness shows that those who live under a self-imposed pressure to be optimal in their enjoyment of things suffer a measure of distress (19)

6. O papagaio é mal agradecido e queixa-se por tudo e por nada

Lá atrás disse que o papagaio é pessimista. Ele é negativo porque sabe que nós ligamos mais a este tipo de pensamentos. E por isso também se queixa muito e esqueçe-se de agradecer pelas coisas boas da vida.

Agora pensa, porque se pensares muito nisto estás a treinar o teu Donaltim. Quais são as coisas que mais te orgulhas de ter feito? Quais são as melhores pessoas na tua vida? O que gostas em ti? Quais são as melhores coisas da tua vida atual? Não estás assim tão mal como pensas pois não? Consegues estar grato por muito na tua vida, certo?

“You can free yourself when you trade your expectations for appreciation.” Tony Robbins

Há quem diga que devemos agradecer por tudo o que temos e pelas pessoas com quem partilhamos esta vida. Eu esqueço-me de o fazer. E por isso o Donaltim não me dá descanso. Mas experimenta, faz disso um hábito – pensa no melhor da vida e agradecer pelo que já tens.

E não deixes que o teu papagaio se queixe, porra! Se não vais tornar-te num gajo (ou gaja) que não apetece ter como amigo (ou amiga).

7. O papagaio leva a vida muito a sério

Este planeta tem 7 mil milhões de pessoas. 7 MIL MILHÕES!!! Todas elas com os seus sonhos, os seus medos e os seus problemas. Malta que tem objetivos e que quer vencer na vida. 7 mil milhões de papagaios. Com tanta gente à tua volta, achas que estão a olhar para ti? Claro que não, cada um está a falar com o seu papagaio, cada um envolto nos seus “problemas”. Por isso faz o que quiseres que ninguém quer saber disso. Não te leves a sério.

Mas quantas vezes pensas nisso? Quantas vezes é que reconheces que as outras pessoas também se preocupam? Quantas vezes reconheces que também elas têm um papagaio, ainda que não se chame Donaltim, que fala com elas o tempo inteiro? Que lhes critica, que lhes chama nomes, que lhes faz pensar em coisas menos boas? Quantas vezes?

No one should ever take life so seriously that they forget to laugh at themselves (12)

Tu e eu somos só 2 neste mar de gente. O quão importante são os nossos problemas, o nosso diálogo interno, à escala global? Insignificantes! E à escala do universo? O que interessa, para o universo, se tens de entregar o relatório na próxima sexta e ainda não o começaste? O que interessa se estás preocupado porque não tens dinheiro para as próximas férias? Não interessa nada!

Mas isso não quer dizer que podes cagar nos teus objetivos e viver como um sem-abrigo. Claro que não. Pode não interessar, e pode não haver significado na vida, mas tu podes dar-lhe significado se te focares nas coisas certas. E para isso precisas de educar o teu papagaio. Precisas de lhe ensinar as palavras certas.

The only limits on your life are those that you set yourself. (12)

Não te leves muito a sério. Ri de ti mesmo. Não tenhas medo de fazer aquilo que queres porque ninguém está a olhar para ti. E se ainda não és a pessoa que queres ser, não te preocupes, imita essas pessoas até seres como eles. Sê um Macaco de Imitação até que sejas um Macaco de Inspiração.

Extra: ensina ao papagaio estas palavras, “O que me está a acontecer, é o melhor que me podia estar a acontecer”

Há um ano li uma passagem do livro “Zen and The Art of Happiness” que nunca mais me esqueci. O autor aconselhava-me a pensar que aquilo que me está a acontecer, o que quer que fosse, era o melhor que me podia estar a acontecer. Que se algo acontecia, era por alguma razão. Que a médio ou longo prazo, tudo o que nos acontece é para o nosso bem.

Quando metemos na cabeça que nada está errado, e que as coisas acontecem por uma razão, para o nosso bem, então não conseguimos ficar preocupados. Na semana seguinte comecei a pensar mais e mais nisso e o Donaltim foi aprendendo essas palavras e foi repetindo-as. Foi uma boa semana, quase livre de ansiedades e preocupações. Uma semana em que o meu papagaio esteve mais pequeno e em vez de se virar contra mim, ajudou-me. Nesta semana o papagaio rendeu-se e não levou a vida muito a sério:

papagaio

É engraçado notar o poder que estas frases podem ter na nossa vida. Se gostaste desta, fica com ela, que eu não sou ciumento.

Nota Final:

We can choose simply to enjoy ourselves, rather than finding reasons to be miserable. We can make the radical choice of happiness. (8)

Vamos resumir isto tudo. O propósito deste testamento foi mostrar que na tua cabeça vive um papagaio, que ele não és tu, e que ele é responsável pelos pensamentos errados que tens. Sejam esse pensamentos negativos, mal interpretações ou queixas. O objetivo foi mostrar que o teu papagaio está mal treinado e que por isso aprendeu as palavras erradas.

Mas tenho de pedir desculpa ao Donaltim. Eu passei este artigo a descascar no meu papagaio, mas da mesma forma que dou uma palmadinha no meu cão quando ele se porta mal – eu gosto dele, mas está mal treinado. O papagaio também pode ser bem treinado, mas primeiro tens de reconhecer os 7 maus hábitos e alterá-los. Treina o teu papagaio que eu vou fazer o mesmo.

Para finalizar, resta-me dizer que a série “viver à boss” ainda não acabou. Esta é a parte 2 de uma série de 4 posts. O que vou escrever nos outros?

Ora, ainda bem que perguntas. Nas minhas pesquisas descobri uma coisa engraçada – o papagaio não é o único ser que vive na nossa cabeça e que nos deixa aquém do que podemos ser. Encontrei dois outros animais, relacionados com o trabalho e com as relações, que fazem um trio com o papagaio. Queres saber quais são? Pois acalma aí o papagaio porque vais ter de esperar.

Por agora conhece a página do Facebook d’O Macaco de Imitação.

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