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Aprender só porque sim

Muitas vezes aprendemos porque somos obrigados. Aprendemos equações do 2º grau porque assim nos é pedido. Decoramos todos os reis de Portugal. Lê-mos Camões e Saramago e Eça de Queiroz. Destas coisas não nos livramos. Esse é o caminho que todos temos de seguir. E mais à frente, até depois de termos feito algumas escolhas, somos obrigados a estudar mais disto e menos daquilo. É a vida, habitua-te (não que isso seja mau).

Outras vezes aprendemos porque precisamos. Ou porque vamos viajar. Ou porque vamos viver sozinhos e temos de aprender a cozinhar. Ou porque na nossa profissão, mesmo não sendo obrigados, se aprendermos mais alguma coisa conseguimos progredir e fazer um trabalho e pêras.

Há ainda uma terceira aprendizagem que “pode dar jeito”, ou que “pode melhorar a nossa vida”. E por isso aprendemos a meditar, ou aprendemos a organizar o nosso trabalho. Aprendemos a correr como deve de ser. Aprendemos a surfar. Aprendemos e exploramos, e o aprender nesta fase já não é trabalho.

Estes três tipos de aprendizagem são dos que mais andam por aí. Há quem viva e só faça desses. E se os fizeres como deve de ser, estás safo. Fazes o teu trabalho, aprendes aquilo que precisas para avançar, aprendes umas cenas extra que te ajudam no teu dia-a-dia e pronto, maravilha. Mas…

…e se aprendermos só porque sim? Não porque somos obrigados, não porque precisamos, não porque pode dar jeito, mas só porque sim? Sem razões, sem prazos, sem expectativas. Só porque sim.

E aí podemos aprender a fazer malabarismo. Ou podemos aprender a escrever com a mão contrária (porque não?). Ou vemos um documentário sobre design, história, engenharia ou música. Ou marcamos uma viagem para um sítio novo só porque nos apetece, só porque sim. Ou ouvimos uma palestra interessante, ou lemos um artigo novo que encontramos por aí. Ou paramos, respiramos, olhamos à nossa volta e “aprendemos” a não fazer nada.

Façamos isso tudo só porque sim, só porque é fixe, só porque podemos. E da próxima vez que alguém te pergunte porque é que estás a aprender japonês, responde “Epá, porque sim!”

PS: Porque não gostar da página d’O Macaco de Imitação só porque sim?

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